Narcotráfico: Ex-dono da Fazenda Mariad em Juazeiro é preso na Colômbia

O narcotraficante colombiano Gustavo Durán Bautista, conhecido como “Durán”, foi capturado no dia 17 de fevereiro de 2026 na cidade de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela. A prisão foi realizada pela Policía Nacional de Colombia, em ação conjunta com o Exército e a Fiscalía General de la Nación, em cumprimento a um pedido de extradição feito pelo Brasil por crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

De acordo com o portal Bahia Notícias, Durán era alvo de mandado de prisão no Brasil desde a deflagração da Operação São Francisco, conduzida pela Polícia Federal em 2007. A operação investigou uma ampla rede de tráfico transnacional com ramificações na América do Sul e na Europa.

Segundo as investigações, Durán liderava uma organização com atuação em países como Uruguai, Chile, Bolívia, Argentina e Brasil. Ele é acusado de coordenar o envio de grandes carregamentos de cocaína da Colômbia para a Europa, especialmente para Holanda e Espanha, utilizando rotas sofisticadas e mecanismos de ocultação da droga em cargas comerciais.

As autoridades destacam que o grupo possuía uma estrutura logística e financeira complexa, com empresas de fachada e movimentações internacionais de recursos, o que ampliava o alcance da organização criminosa e dificultava a ação das forças de segurança.

No Brasil, Durán ficou conhecido por ser ex-proprietário da Fazenda Mariad, localizada em Juazeiro (BA). Conforme as investigações da Polícia Federal, a propriedade era utilizada como fachada para exportação de frutas, como uvas e mangas, para a Europa. A cocaína era escondida em fundos falsos nas caixas dos produtos agrícolas.

O caso ganhou grande repercussão nacional ao envolver a então juíza Olga Regina de Souza Santiago, que atuou na comarca de Juazeiro. Segundo reportagem do G1, a Polícia Federal gravou conversas telefônicas entre a magistrada, seu então marido Balduíno Santana e o traficante colombiano.

Em um dos áudios divulgados, a juíza informa ao colombiano que havia ido à Polícia Federal e que estava “tudo certo” com as fichas de antecedentes dele. Em resposta, Durán afirma que faria um depósito conforme orientação do marido da magistrada. Em outra ligação, o ex-esposo da juíza reclama que nenhum valor havia sido creditado em sua conta, e o traficante se compromete a realizar o pagamento no dia seguinte. Em um terceiro diálogo, Durán informa ter depositado R$ 14.800, justificando dificuldades financeiras momentâneas, e recebe agradecimento.

Diante das apurações, o Conselho Nacional de Justiça aplicou à magistrada a penalidade de aposentadoria compulsória, por considerar que houve favorecimento ilícito ao investigado.

Durán já havia sido preso no Uruguai em 2007, após a apreensão de aproximadamente 500 quilos de cocaína em uma aeronave ligada à organização criminosa. Na ocasião, acabou sendo liberado e permaneceu foragido por anos.

Reportagem do portal Infobae aponta que o colombiano teria acumulado patrimônio estimado em cerca de US$ 100 milhões. Entre os bens estariam fazendas, aviões particulares, empresas de fachada e imóveis de luxo em áreas valorizadas como Jurerê Internacional.

Com a prisão em Cúcuta, o narcotraficante permanece sob custódia das autoridades colombianas enquanto tramita o processo de extradição para o Brasil, onde deverá responder pelos crimes investigados desde a Operação São Francisco.

Imagem: Reprodução

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